terça-feira, 14 de outubro de 2008

Luto

A dor da perda é algo que sinceramente não se sabe dizer, por mais palavras rebuscadas, por mais metáforas que se use, por mais traquejo que se tenha. Só existe o sentir.
Essa coisa que aperta no peito, é tão cruel e tão contagiante que o máximo que se pode fazer é chorar junto.
Desespero, confusão, dúvida, esperança, desilusão, tristeza.
Sentir-se apertado por não ter dito aquela última palavra. Sentir-se agonizando por não ter dado seu último adeus; por não ter dado seu último sorriso; por não ter dito que apesar de tudo, amava- e como amava - como queria bem, céus!
E, mesmo não querendo, não aceitando, mesmo sabendo que aquilo poderia acontecer a qualquer momento, que tudo favorecia ao acontecimento, o único caminho é o carrasco conformismo. A saudade fica. Tudo o que durou, tudo o que foi bom, volta à mente para trazer brilho aos olhos. Guardará, sim, aqueles sorrisos, as birras, as chateações, enfim, as diferentes formas de prova de amor. Guardará, sim, lá no fundo do peito e do pensamento. Por hoje, e durante mais algum tempo, o consolo será a ausência, ainda que apenas física.
Felizes daqueles que acreditam na continuidade. Esses têm no que apoiar-se.
Fale por você e seja feliz, se acha que tudo um dia sempre se resume ao nada e aos vermes e à podridão e à ausência e ao esquecimento e...

Nada mais dedico.

É sempre triste a forma como tudo pode acontecer- ou deixar de ser.

Hoje vi um sol apagar-se em lágrimas.

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